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Mensagem  Ricardo Duarte em Sex Nov 21, 2008 3:00 pm

Lisboa: Assembleia Municipal chumba rede de bicicletas partilhadas
18 de Novembro de 2008, 22:13

Lisboa, 18 Nov (Lusa) - A Assembleia Municipal de Lisboa chumbou hoje a abertura da contratação para a criação de uma rede de bicicletas partilhadas na cidade, com a maioria PSD a afirmar que a proposta da câmara de maioria PS é "mal fundamentada".

O presidente da Câmara, António Costa, afirmou aos jornalistas que a autarquia vai "tentar por outras vias" concretizar o projecto, acusando o PSD de estar "entrincheirado numa maioria artificial" na Assembleia Municipal a "impedir a realização do programa" do executivo de maioria socialista.

o deputado municipal social-democrata Victor Gonçalves afirmou na discusssão da proposta que "não há vontade da Câmara Municipal" em esclarecer como vai ser financiada a rede de bicicletas públicas, considerando que o executivo devia explicar como pretende que o sistema seja auto-financiado e considerando "um exagero" a estimativa de encargos para a autarquia de 50 milhões de euros nos primeiros dez anos.

O vereador socialista Marcos Perestrelo dispôs-se a alterar a proposta para que ficasse explícito que o projecto devia ser auto-financiado, eliminando assim a expectativa de encargos de 50 milhões, mas a maioria PSD manteve a oposição, referindo a falta de tradição de tráfego de bicicletas em Lisboa, as condições do relevo da cidade e a falta de infraestruturas para a circulação em duas rodas.

Marcos Perestrello remeteu para as receitas publicitárias o financiamento da rede de bicicletas partilhadas.

"Passam-se dias sem ver alguém a andar de bicicleta", contrapôs Victor Gonçalves, que pôs ainda em causa a viabilidade de as bicicletas serem estandartes de publicidade: "como vai ser? o ciclista vai ter um cartaz às costas?", questionou.

António Costa frisou que a Câmara já aprovou um projecto para a construção de "quarenta quilómetros de ciclovias", já começou a instalar espaços de estacionamento para as bicicletas e que "não há tradição de andar de bicicleta enquanto não se der condições para isso".

"Se [o deputado Victor Gonçalves] não quiser andar de bicicleta, ninguém o vai obrigar. Agora, não queira impedir quem quer andar de o fazer", afirmou o autarca socialista.

O projecto acabou por ser chumbado com os votos negativos do PSD e do PCP.

Aquando da aprovação da abertura do concurso para a instalação da rede de bicicletas de uso partilhado em reunião de câmara, o executivo autárquico aprovou igualmente uma proposta adicional da CDU, que pedia a clarificação do conceito de "via ciclável", das condições de segurança do piso e eventuais alterações necessárias ao Código da Estrada para o funcionamento do serviço.

A rede a criar deveria funcionar com 2.500 bicicletas de uso partilhado em 2012, arrancando com mil bicicletas numa fase inicial.

Em Outubro, a Comissão Municipal de Urbanismo, presidida por Victor Gonçalves, já tinha defendido que a Assembleia precisava de ter "o conhecimento integral dos investimentos envolvidos e dos encargos resultantes para Lisboa e para os lisboetas" com a aplicação deste sistema.

APN/SO.

Lusa/fim
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Ricardo Duarte

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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Ricardo Duarte em Seg Nov 24, 2008 3:35 pm

Maradona no blog "a causa foi modificada"

Para os mais puristas: cuidado com a linguagem do texto

"Acho que o assunto das ciclovias e bicicletas em Lisboa é um assunto interessante porque representa e exemplifica, de modo translúcido e simples (para não dizer cristalino), a tendência para se aplicar fórmulas suecas, holandesas, filandesas ou outras, aos súbditos. Não há qualquer sinal de que se pense nas pessoas, na vida que as pessoas levam e na relação delas com a cidade, apenas um vago desejo de progresso. O esforço não é no sentido de que o progresso melhore a vida de quem nela vive, mas que se ande por determinado caminho, o que naturalmente elimina qualquer necessidade de se pensar, estudar e testar as merdas.

No caso em concreto, o caminho que se quer impõr, sem olhar a contas, é o mais ecológico, o mais verde, o menos poluente, etc, etc, etc, e, fatalmente, o mais escandinavo que se arranjou (porque, como se sabe, há um misterioso fenómeno de o povo à esquerda do PS nos querer convencer que é, por vezes mesmo que sempre foi, defensor da social-democracia do norte da europa, tipo suécia, por acaso um país que em 1992 teve que salvar os seus bancos com o custo de 4 por cento do PIB, mas isso agora não interessa nada). Como é que se explica a alguém, convencido da sua santidade eco-visionária, que a bicicleta não faz, nem nunca poderá fazer, parte de uma solução para os transportes públicos de Lisboa? Não se está a dizer que não pode haver ciclovias ou bicicletas, somente que os casos de Amsterdão ou Estocolmo (por exemplo), por serem locais morfologicamente adequadas à bicicleta, constituem apenas duas circunstâncias muito específicas em que esse meio de transporte pode fazer parte das contas de quem tem a responsabilidade de gerir os fluxos das pessoas, mas que Lisboa, por ser feita de ruas estreitas, ingremes, torcidas, por estar no meio de montes e vales, por cá a metorologia variar entre a chuva torrencial, o vento forte ou muito forte (embora sempre sem direcção previsivel), o frio de rachar ou o calor abrasador, nunca permitirá que a faixa de pessoas com possibilidades de incluir a bicicleta da sua estrutura diária de vida não passe de um grupo negligenciável em relação àqueles que nunca o poderão fazer.

Esta merda não pode ser muito dificil de entender: sem ser eu, duvido que haja alguém na blogoesfera que consiga subir de bicicleta dos Restauradores ao Príncipe Real sem parar para respirar. Se um percurso tão central à vida da cidade de Lisboa como este só está ao alcance de um gajo com umas pernas espectaculares como as minhas, do que é que estamos a falar quando se pretende falar da hipótese "bicicleta" como meio de transporte significativo e ao qual, portanto, se deve dar vantagem de investimento? A bicicleta, em Lisboa, só pode ser um meio de recreio, como é óbvio, caralhos ma'fodam (eu daqui a pouco passo-me da cremalheira, estou já a avisar). Como instrumento de lazer, faz todo o sentido, por exemplo, duas ou três ciclovias, que atravessem a cidade (pelo afamado corredor verde - onde é que ele anda, por falar nisso?), mas hipotecar a já pouca largura da maior parte das nossas ruas a um capricho ecológico ridículo é um desrespeito para quem ainda tem uma cidade tão mal preparada para fazer circular com a prioridade e conforto necessarios a merda de um autocarro. Se quisermos ser ecológicos com um mínimo de realismo, Lisboa será uma cidade para a vespa, para os motociclos de pequena cilindrada. O que é que impede as pessoas de andar de vespa? Se nem essa solução, perfeitamente racional (e contra a qual nenhum obstáculo se levanta, a não ser os carris desactivados dos eléctricos que ainda povoam tantas das nossas ruas, e que tanta desgraça já devem ter provocado), ainda pegou, o que é que se pretende ao propôr uma rede de ciclovias quando os únicos que se lembraram de andar diariamente de bicicleta por Lisboa são pessoas com problemas mentais, como aquele maluco que fez "uma experiência científica" de um mês e que depois gritou, com a mesma emoção com que o Neil chegou à Lua, "é possível"? É possivel... claro que é possivel, olha o caralho, tudo é possivel; é disso, essencialmente, que eu tenho medo: que o razoável perda para o que é possivel."
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intelectual

Mensagem  joão ratão em Ter Nov 25, 2008 3:44 pm

Deve haver alguma espécie de complexo em Portugal, que faz com que baste um gajo falar mal como o c****** para ser logo conotado como alguma espécie de intelectual, no mínimo um gajo para lá de muito à frente.
E a imagem que o Maradão quer passar cola mal com a sua essência de velho do Restelo.
Se em Lisboa não pode haver ciclovias por ser preciso ser algum Joaquim Agostinho para ir dos Restauradores ao Principe Real, então nos países com estâncias de neve também não podia haver pistas de ski, porque os desníveis nas montanhas apesar de tudo são maiores que os desníveis que há em Lisboa.
O que as bicicletas e os skis têm em comum, é o de serem ambos veículos de tracção animal, o que significa que descem melhor do que sobem... mas isso poderá ser um ponto a favor, desde que o ppl das bicicletas ponha a imaginação a trabalhar (deve ser mais excitante ir do Principe Real aos Restauradores, do que o percurso inverso). No limite, quem for descer a Rua do Alecrim, e tiver a sorte de lhe faltarem os travões, ainda ganha o extra-bónus de um mergulho no Tejo (completamente grátis).
Pois eu, que já não tenho idade para tais radicalidades, já ficava muito satisfeito se pudesse ir do Rossio ou da Praça da Figueira até ao ISPA de bicicleta e podem ter a certeza que o faria todos os dias.
A ideia das BUGs (Bicicletas de Utilização Gratuita) nem é 100% original. Quem quiser que vá a Aveiro e veja como as ditas cujas têm sido uma experiência de sucesso e contribuiram para a revitalização do centro da cidade
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Mensagem  Saltarico em Qua Nov 26, 2008 4:54 am

Acho k a ideia das bicicletas será uma boa aposta. tongue
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Lâmpada mágica em Qua Nov 26, 2008 4:58 am

Caros colegas não concordo nada com esse meio de transporte. Prefiro os patins. Não há nada como um belo par de patins Razz


Última edição por Lâmpada mágica em Qua Nov 26, 2008 6:07 pm, editado 1 vez(es)
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será isto?

Mensagem  u m ai? em Qua Nov 26, 2008 5:13 am





lol!
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Mensagem  Aladino em Qua Nov 26, 2008 5:22 am

Haja alguem que faça alguma coisa para diminuir o sedentarismo humano, o comodismo daqueles que usam o carro so para ir ao café que fica a escassos metros, as bicicletas são boas para o meio ambiente, para o ser humano, para a economia (especialmente em tempo de crise) e para a cidade, a ver se o congestionamento diminuia. Além disso daria um gozo enorme ver as receitas petroliferas a dimuirem.

Parece que existe um tal sr. que acha que lisboa não suporta esta novidade dada a sua geografia, pois bem creio que isso depende do ponto de vista, há aquelas pessoas que preferem andar de bicicleta em vez de estarem sentadas a beber cerveja, se custa a subir, paciência, leva-se a bicicleta à mão, já para baixo todos os santos ajudam. Já agora, se bem me lembro lisboa tem zonas perfeitamente circuláveis por uma bicicleta não tem? Autocarros? Nunca podem ser comparaveis a uma bicicleta, a diferença é simples de identificar: os autocarros - levam toda a gente la dentro, são grandes para as ruas, tem, por vezes, não condutores mas perigos ao volante, tem carteiristas e o lema de "todos juntos formam muito calor humano". As bicicletas - é na maioria monolugar, não polui, é gratis, cabe em todas as ruas, não tem carteiristas, pode ter um perigo ao guiador, é arejado e se chover a pessoa molha-se. Se bem que o molhar é subjectivo porque nos autocarros as pessoas tbm se molham. Resumindo numa visão geral as bicicletas parecem-me muito bem.
Maradona não é? Pois creio que é um ex-fotobolista, por acaso ainda nunca ouvi, ker ex, ker fotobolista, falar seja o que for considerado inteligente, ja ouvi muitos falarem todo o tipo de porcarias, isso sim mas, isso é apenas uma opiniao pessoal.
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Ricardo Duarte em Qua Nov 26, 2008 1:19 pm

Percebo o entusiasmo, mas perceberam que estamos a falar de 50 milhões? Isto não faz impressão a ninguém? Grátis Aladino? Não há almoços grátis. Há ideias pagas pelos contribuintes.

Ps: sobre o Maradona: ele escreve maravilhosamente bem, deixem lá os purismos. Mais para mais acho que ele está carregado de razão: não é por não haver vias nem bicicletas “grátis” que as pessoas não usam bicicletas! Nós queremos importar tudo, as bicicletas da Holanda, o ensino da Finlândia, e até o Barak dos EUA. Esquecemos o essencial: não bastam as formulas, tem de haver vontade.
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Maradona II

Mensagem  Ricardo Duarte em Qua Nov 26, 2008 1:25 pm

Mais uma do Maradona sobre o tema (ainda tem mais asneiras!!cuidado portanto):

"EU gosto muito de repisar as coisas

Acho que é uma arrogância e uma imprudência de base não pensar no que as pessoas já fazem, e ajudá-las a ter condições melhores para fazer aquilo que elas acham, manifestamente, que é melhor para elas; o Pedro Sales acha que elas deveriam fazer outra coisa, que assim era melhor para todos.

Aqui na terra, uma autarquia com a mesma visão do Pedro Sales fez construir um circuito de manutenção de fazer corar os Jogos Olímpicos de Pequim: está ao abandono, nunca lá vi ninguém, a não ser os gajos que vão passear os cães, que mijam e cagam nos locais onde os supostos ginastas deviam fazer os abdominais. Não contentes com isso, fizeram logo a seguir uma mega ciclovia, a ligar a localidade à Costa da Caparica, desde logo universalmente inutilizada por toda a gente. 5 anos depois, que é hoje, demoliram-na. Para quê? Para fazer outra, outra puta de outra ciclovia, mas do outro lado da estrada, ainda não quero acreditar. Eu sou a única pessoa aqui da terra a ir à Costa da Caparica de bicicleta, sempre que posso; a única, a ú-n-i-c-a, pela vossa saúde, não achem que estou a exagerar.

Os lisboetas, tudo assim o indica, não andam de bicicleta. Ora, perante isto, o Pedro Sales, seguindo o tipo de tradição da senhora presidente de Câmara de Almada, considera que andar de bicicleta é uma actividade complexíssima, e que a única razão pela qual as pessoas não se deslocam de Belém ao Rossio de bicicleta (zero centímetros de desnível) é porque não lhes proporcionamos as condições necessárias para tal; vamos já a correr, então, dar-lhes condições para andarem de bicicleta.

De facto, eu acho que os lisboetas não andam mais de zepplin porque a Carris disponibiliza poucas carreiras com essas características. Mas a verdade é que, por outro lado, os lisboetas fazem muitas outras coisas para as quais Lisboa não têm grandes condições, às vezes nem condições mínimas, sendo que o caso mais gritante é vir de Almada ou do Cacém com o carro para o centro da cidade em hora de ponta, mesmo tendo à disposição um comboio mais-ou-menos num caso, e um magnífico comboio, noutro.

Como sublinha, no intuito de fazer progredir moralmente a nação, o Pedro Sales, "não é preciso ser nenhum atleta para se conseguir deslocar de bicicleta, sem nenhum esforço por aí além, de Telheiras ou Alvalade até ao Rossio"; sucede que, sendo isso verdade, não o é menos que será necessário ter entre dezassete e trinta e poucos anos, não fumar, não beber ou ingerir muitas gorduras saturadas, ter um IMC nunca superior a 27 (e estou a ser generoso), atacar diariamente nos bróculos e na couve-flor, ter um trabalho e uma vida que não exija que se cheire bem e que além disso nunca obrigue a uma deslocação um milímetro que seja para fora dos carreiros de formigas identificados neste inacreditável mapa do Instituto Superior de Agronomia, um grafismo que só uma imaginação muito extrerior à realidade do pedal pode conseguir interpretar como um exemplo de boa intercepção das características topográficas, urbanas, administrativas e demográficas de uma cidade tendo em vista a sua adequação à utilização intensiva e geral da bicicleta.

(A "imaginção" chega a roçar a loucura, diga-se, porque quer o Pedro Sales quer o Instituto de Agronomia - aproveito para desafiar qualquer pessoa a chegar com menos de um minuto de atraso relativamente a mim no percurso Calvário-Instituto de Agronomia - percebem tanto disto como eu de pintura de obras em pontes suspensas: então só interessa a inclinação?; e a extensão de uma subida?; e subir a 3 por cento durante 2 quilómetros e meio, entre os Restauradores e o Saldanha? Foda-se... durante um ano fui de Belém à Cidade Universitária de bicicleta.... vocês sabem como é que eu lá chegava?... tinha que me enfiar no bar a beber cerveja até cair para o lado sem poder assistir às aulas do professor Quadrado, caralho, tenham juizo nessa cabeça, foda-se.)

Vamos lá ver, tudo isto é pouco menos que ridículo, pelo amor de deus, mas será que neste país ninguém sabe o que custa andar de bicicleta? Em Amsterdão (como aliás em Paris) há uma área autosuficiente (a palavra chave aqui é área, não trilhos no meio de uma selva agreste; área) de 40 ou 50 quilómetros quadrados completamente planas onde uma pessoa pode fazer uma vida (a palavra chave aqui é vida, não canais de escoamento de efluvios humanos provenientes de mentes abstratas; vida) de bicicleta quer se tenha 14 ou 74 anos; fala-se de um conjunto urbano completo, independente, estanque, onde é possivel nascer, residir, trabalhar, foder, ir para o hospital e morrer sempre a pedalar ao ritmo cardíaco normal, sem suor ou esforço, como se só estivéssemos a andar (que é o grande achado da bicicleta: com zero por cento de inclinação multiplica-se a velocidade de deslocação por 3 sem aumentar o rítmo cardíaco; a merda é que, em caso de haver pendor, a bicicleta em vez de facilitar a transposição da distância, dificulta; d-i-f-i-c-u-l-t-a).

Se um gajo de 50 anos vai de Telheiras para o Rossio de manhã mas à hora do almoço arranjou um brochezinho à Graça para antes de jantar, por exemplo, como é que é? Quem diz um broche diz ir ver o presépio do Machado de Castro à Estrela ou fumar um charro no Adamastor, foda-se. É a impossibilidade de relacionar de bicicleta estes pequenos assuntos, sempre facilmente ridicularizáveis ou anuláveis pelo voluntarismo irracional, mas que constituem a essência do que é absolutamente necessário, imperativo, bom e atrativo na vida urbana, que vedam a cidade de Lisboa ao tipo de utilização que os gestores de cidades como Amsterdão fazem da realidade social do transporte por velocipedes propulsionados pelas pernas de cada um.

A promoção das bicicletas em Lisboa é "gozar com a vida das pessoas", como disse, porque, voluntária ou involuntariamente, se está a tentar priorizar uma solução que ignora a vastíssima maioria da população, cidadãos esses que, volto a lembrar, ainda não têm um conjunto de faixas BUS decentes (ou passeios de qualidade). O Pedro Sales que não venha com a putinha da teoria de que é possivel fazer tudo ao mesmo tempo, em conjunto, com o pensamento global e integrado das coisas, que eu passo-me dos carretos.

É que não é, caralho, não é. As coisas não se podem fazer ao mesmo tempo: não se pode construir, reparar e ir testanto e melhorando ao longo de três ou quatro anos uma rede de vias prioritárias com bom piso para autocarros e electricos que cubra a cidade eficientemente e, ao mesmo tempo, estar a pensar na melhor maneira de um ciclista chegar em segurança de Telheiras ao Rossio: e não é porque, como tento explicar, física, demográfica e sociologicamente a bicicleta em Lisboa será sempre um pormenor (a não ser que um dia Lisboa seja unicamente constituida por menores de 30 anos, o que não se aconselha de maneira nenhuma) e, portanto, terá sempre que ocupar uma posição subalterna.

Como já disse, depois de se criarem coisas tão simples como um tapete de alcatrão continuo e sem buracos que leve a merda de um autocarro sem grandes paragens do cais do sodré às zonas de lisboa cegas ao metropolitano, nada impediria que se implementasse uma rede, muito extensa mas pouco densa (já pensei nesta merda toda, caralho: um eixo entre a Expo e Algés; outro a acompanhar o mítico Corredor Verde, que ligará o eixo do rio através dos resturadores, av. Liberdade, etc, etc a Monsanto; eventualmente, quando o aeroporto for desactivado, uma ligação por norte a Monsanto, mas aqui ainda não estudei bem o assunto), de ciclovias, mas isto nada terá que ver, do ponto de vista de quem pensa a mobilidade urbana, com o que se passa na totalidade das cidades em que a bicicleta tem uma presença significativa, locais onde, fatalmente, a substancial parte dos centros administrativo, lúdico, residencial e histórico está acessivel de bicicleta à faixa etária dos 8 aos 80, sem esforço e a partir de todos os pontos cardiais.

A ideia do Pedro Sales é uma ideia para os fins-de-semana, para o visitante, para o turista; para quem tem tempo, disponibilidade, juventude e empregos, digamos, de qualidade; tratemos primeiro dos outros, se faz favor; Lisboa nunca será assim..."
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não consigo...

Mensagem  joão ratão em Qua Nov 26, 2008 6:43 pm

... ver a genialidade do Metadona, mas gostos não se discutem.
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Lâmpada mágica em Qua Nov 26, 2008 6:48 pm

.... isso explica muitas das dúvidas que ainda tinha!!!! Razz


affraid
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Mensagem  Aladino em Qui Nov 27, 2008 6:25 am

Se num mes gasto 100€ de combustivel no carro e no mes seguite gastar 5€ numa bicicleta, para mim as bicicletas são gratis. Almoços gratis existem muitos, mas não para aqueles que passam fome, esses so existem para aqueles que ganham acima dos 5000€, são muito conhecidos do publico em geral e a cima de tudo não tem necessidade da caridade alheia.
Mais vale importar ideias de bicicletas, educação e afins do que andar a importar a criminalidade permitindo a entrada e permanência de determinados individuos no nosso pais, alem disso o lema do so importar é o objectivo do nosso governo, afinal de contas o nosso governo quiz que portugal não passasse de uma grande estancia turistica, foi por isso que pagou não so para não se produzir nada como tbm pagou para que se destruisse o que entretanto se havia produzido.
Mas tambem temos que ver quem votou para que os governos pudessem governar foi o povo, logo ninguem se pode queixar.
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Ricardo Duarte em Qui Nov 27, 2008 12:58 pm

Aladino, parece-me que em vez de exercitar o raciocínio, anda a exercitar a demagogia.

“Se num mes gasto 100€ de combustivel no carro e no mes seguite gastar 5€ numa bicicleta, para mim as bicicletas são grátis”

Então porque não compra uma bicicleta?

“mas não para aqueles que passam fome, esses so existem para aqueles que ganham acima dos 5000€,”

A que propósito vem isto? Também há milhões de pessoas a ganhar 10 por cento do que você ganha (e provavelmente acha pouco). Mais: o que tem isso a ver com bicicletas e ciclovias?

“Mais vale importar ideias de bicicletas, educação e afins do que andar a importar a criminalidade”

Mas é opção? Bicicletas ou crime? Dá para escolher? Se sim concordo consigo, se não, é apenas mais uma falácia.

“Mas tambem temos que ver quem votou para que os governos pudessem governar foi o povo, logo ninguem se pode queixar.”

Foi uma parte do povo que votou, e mesmo esses podem queixar-se. Errar é humano.

Grande abraço
Ricardo Duarte
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  u m ai? em Qui Nov 27, 2008 6:55 pm

"Aladino, parece-me que em vez de exercitar o raciocínio, anda a exercitar a demagogia." - A demagogia não é um acto de raciocinio?


"Então porque não compra uma bicicleta?" - O Aladino tem bicicleta. E usa-a!


"A que propósito vem isto? Também há milhões de pessoas a ganhar 10 por cento do que você ganha (e provavelmente acha pouco). Mais: o que tem isso a ver com bicicletas e ciclovias?" - Quanto ganha o Aladino????
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Aladino em Sex Nov 28, 2008 4:10 am

Felizmente comprei uma bicicleta e sempre k posso faço uso desta. Em relação a importação apenas posso dizer que ha poucos anos atras nunca tinha ouvido falar, por exemplo, de carjacking, e nunca tinha visto na tv assaltos a bancos em Lisboa com direito a atiradores furtivos, e isto são apenas exemplos de algumas das importações efectuadas como tantas outras, umas piores e outras nem por isso.
Ja agora foi tocado um ponto fundamental.

"A que propósito vem isto?" - isto vem a proposito de não existirem almoços gratis. "Também há milhões de pessoas a ganhar 10 por cento do que você ganha (e provavelmente acha pouco)." - isto é o mais comum no nosso pais e se for real a situação referida aos milhões, então estamos mais pobres e miseraveis que um pais de terceiro mundo, ou será que ganhei no euromilhoes, sou ministro, patrão de uma multinacional, etc., e não sei?. "Mais: o que tem isso a ver com bicicletas e ciclovias?" - penso ter visto uma referencia que este projecto não é gratis mas sim pago pelos contribuintes.


Definição da palavra demagogia - é uma actuação politica que tem como principal intenção agradar ao povo.
Definição da palavra raciocinio - é a capacidade de pensar, deduzir e intuir.
Logo para se fazer demagogia tem que se raciocinar.
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Re: 50 Milhões para bicicletas. Sem comentários mas boquiaberto!

Mensagem  Saltarico em Sab Nov 29, 2008 4:38 am

Epa é natal arranja ai uns trocos... é pras prendinhas e pra ceia.

Va-la não sejas forreta lol!
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