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Avaliação dos professores e qualidade da educação? blog da Sedes

Mensagem  Ricardo Duarte em Sex Nov 14, 2008 1:46 pm

Avaliação dos professores e qualidade da educação?

Publicado por Fernando Adao da Fonseca a 9:17 em Educação, Estado, Política Nacional

A avaliação de professores está na ordem do dia e paira actualmente como uma nuvem negra sobre a estabilidade do sistema de ensino português.

Tomando como boas as críticas de muitos professores, em causa está o modelo de avaliação aprovado pelo Ministério, com as queixas a incidirem sobre a burocracia associada ao processo de avaliação e potenciais situações de injustiça, com as inerentes repercussões ao nível do concurso de colocação e da progressão na carreira. O Ministério, por sua vez, defende-se acusando os críticos de não proporem um modelo de avaliação alternativo.

Estão assim criadas as condições para um extremar de posições, que em nada contribuirá, muito pelo contrário, para a serenidade que a função educativa exige.

Não admira, pois, que, na Conferência do Fórum para a Liberdade de Educação (www.liberdade-educacao.org) que teve lugar ontem (quarta-feira, 12/11/2008) na Fundação Gulbenkian sobre “A Reforma do Sistema de Ensino da Nova Zelândia”, a avaliação de professores merecesse uma atenção especial por parte dos presentes.

Se a razão de ser das perguntas era óbvia, a simplicidade das respostas desarmou a assistência. É que na Nova Zelândia não existe um sistema de avaliação centralizado. Não que os professores não sejam avaliados, longe disso. Para poderem leccionar, os professores têm de estar inscritos no New Zealand Teachers Council, inscrição que deve ser renovada a cada três anos.

No entanto, não existe um modelo de avaliação único, comum a todos os professores. Existe um quadro geral de avaliação (national framework) e um conjunto de indicações (guidelines) que impedem a arbitrariedade, mas a avaliação é da responsabilidade do director da escola onde cada professor lecciona, e este tem ampla liberdade no modo como a faz. A justificação por esta opção é simples: ninguém está em melhor posição do que ele para avaliar da competência dos professores que leccionam na sua escola. Aliás, uma vez cumpridos os mínimos de desempenho, o resultado da avaliação não tem influência na progressão na carreira, que depende exclusivamente do número de anos de ensino. Apenas influencia a plausibilidade de nomeação para o desempenho funções de coordenação pedagógica ou outras no interior da escola, com significativo acréscimo salarial.

Naturalmente que este sistema de avaliação totalmente descentralizado faz sentido num contexto, que é o neozelandês, em que as escolas têm total autonomia na sua gestão, incluindo a selecção e contratação dos professores. Ao mesmo tempo, uma vez contratados, um professor apenas deixa de o ser se for demonstrada a sua completa incompetência ou se a escola que o contratou deixar de ter alunos, portanto, a qualidade do seu ensino se deteriorar. Estão, assim, criados os incentivos para professores e directores das escolas tudo fazerem para que a formação contínua e o apoio à melhoria do desempenho pedagógico seja uma prioridade e a avaliação do desempenho dos professores tenha como principal objectivo identificar as áreas de melhoria de cada um.

Soa a utopia, e sem dúvida que vem dos antípodas, mas o sistema de ensino neozelandês nem sempre foi assim. Simplesmente, há 20 anos, este país teve a coragem de fazer a reforma que verdadeiramente importava: acabou com a maior parte das direcções centrais e todas as direcções regionais de educação e devolveu as escolas às comunidades locais. Se dúvidas houvessem, os dados do PISA-OCDE colocam a Nova Zelândia no topo, quer no que concerne a literacia quer no que concerne a numeracia. E claro, é escusado gritar contra o ministério da educação, este ou qualquer outro, pois este foi quem mais perdeu poder com a reforma: o poder passou para as escolas e o conselho de administração das escolas é maioritariamente composto por personalidades eleitas pelos pais dos alunos. De uma simplicidade desconcertante, mas que explica a qualidade do ensino neozelandês.

Se eles conseguiram, porque é que nós não conseguimos também? Creio que podemos e devemos dizer “Yes, we can!”

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eu devo ser marciano...

Mensagem  joão ratão em Sex Nov 14, 2008 4:03 pm

Cada vez estou mais em desacordo com o que parecem ser as grandes unanimidades nacionais. Se calhar há uns anos ficava preocupado ou receoso de ser considerado anormal... mas uma das (poucas) coisas de boas que a idade me trouxe foi a capacidade de dizer: "penso o contrário de todo o mundo??? quero lá saber...".

Este prolegómeno todo serviu para dizer que eu até acho que o Bruno Paixão fez uma boa arbitragem no fim de semana passado, e que tenho pouca simpatia pela luta dos professores dos estabelecimentos oficiais do ensino secundário. Quando andei pelo ensino (como professor) há 20 anos, fiz uma fotografia que pode estar incorrecta, mas que é a minha.

Os professores têm de se esforçar minimamente nos primeiros anos da carreira, e depois de se efectivarem e à medida que os horários vão diminuindo e os ordenados vão aumentando, dedicam parte da vida ao "dolce fare niente", em que basta estarem vivos para progredirem paulatinamente até ao topo da carreira. Seria o equivalente na carreira militar a todos os soldados terem a certeza que chegariam a generais, fizessem o que fizessem. Quando as professores mais antigos das escolas, os tais que recusam sistematicamente funções de responsabilidade e que têm horários feitos à medida para concentrarem as 3 turmas de 10º/11º ano que têm em 3 dias recebem a notícia de que tinham responsabilidades acrescidas, nomeadamente a responsabilidade de avaliação dos colegas mais jovens, foi o "aqui del-Rei que estou a ser en**bado (abusado)".

O Ministério e a Ministra não têm sido perfeitos? Eventualmente não... mas quem quer que mexesse no status quo, iria sentir as ferroadas. E mesmo nas acusações de que os professores de educação física não podem avaliar professores de música e que os professores estão traumatizados porque a sua vocação é o contacto com as crianças e o trabalho burocrático os está a afastar das criancinhas, me parece haver uma grande dose de BST.

E o mais lamentável de tudo são as criancinhas que se deixam ir no clima e que vão atirar ovos e tomates à ministra e aos representantes do ministério. Eu sei que em Portugal os castigos físicos são proibidos, mas o que os jovens precisavam era de uma boa dose de psicologia aplicada...
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